segunda-feira, abril 17, 2017

o resto






que ainda resta


Chegou a hora morta e estou mais vivo agora do antes, do que nunca, enquanto as pessoas dormem. Enquanto as pessoas morrem afundadas no leito, atropeladas pelo sono, deitadas sobre as marcas da consciência, em suas camas confortáveis, ou não. Alguns se ajeitam como podem, reclamando um pedaço de chão, à noite, debaixo da marquize de um prédio no centro da cidade. F#dam-se aqueles me condenam. Esquecem de si e falam apenas, apenas pra me censurar pelo passado, talvez por ter nascido. Por perverter meu fracasso ao vê-lo transformado em virtude, em valor de alta intensidade. Grandes atributos como honra, retidão, respeitabilidade. Justiça, generosidade. São atos de nobreza irrefutáveis, mas contudo, ainda sim, sujeitos ao julgamento e à opressão. O homem só é livre quando é soberano sobre as forças que o oprime. A Natureza exerce essa força sobre nós. Só a Natureza é livre. Portanto, Deus é livre.


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domingo, abril 16, 2017

e agora você cria



E depois das palaras, o que me resta a dizer? O sol lá fora engolindo menos uns dias que passam sem contar, sem contar pra ninguém que eu ainda existo. Mesmo no autoexílio que acham conveniente chamar "zona de conforto" sinto-me mesmo morto. Será sempre assim? é o que já foi e nada será. O futuro não existe e nada será o vir-a-ser. O passado é matéria inexistente, que deveria viver apenas em nossa memória mais bela, selecionando momentos bons e afastando o pensamento de lembranças ruins. O que descobri é que, sem razão, pelo fato de sobreviver, querer viver como um cavalo da instrução, da instituição, essa vontade de "querer o nada" faz crescer em mim a vontade diametralmente contrária de "nada querer". Nada é além do dia de hoje. Nada será, pois tudo já foi. Nada esperar além de agradecer. O pão nosso de cada dia. Um Pai Nosso, uma Ave Maria. Vou dormir pensando em justiça. Leva um tempo ainda para que eu possa atingir uma região que me causa muito prazer também. Em termos de amizade e lazer. Até lá, só o tempo, que por sua vez, em sua lentidão e outras mazelas na vida de um homem ordinário, tem apenas a qualidade de "zona de conflito" quando pouco. Na maior parte disso tento não prestar muita atenção. Senão minha produtividade mental desanda numa dose espantosa. E uma dose de café por volta de três me levanta, e você? o que está fazendo agora? Esse disco do Pink Floyd nos acompanha desde os anos 1980 sem um arranhão. Já é a segunda vez que eu escuto consecutivamente. Não tenho nada a dizer, senão deixar um abraço apertado para aqueles amigos que sumiram e que ainda lembro e que ainda gostaria que, de algum modo,  estivessem presentes na agora minha vida.

"Você grita, mas niguém parece ouvir"

quarta-feira, abril 12, 2017

carta pro amigo Teo, que se foi

meu pequeno caos em manchas de café

This isn't happyness
Isso não é felicidade. Um dia eu soube o que era, ou talvez pensei que fosse. Mas isso não é felicidade. Não, não. Na-na-nina-não. Não sei se sei mais escrever, e isso não é o início de uma pro e contra argungentação. Não tenho mais tempo pra isso. Nas verdades, nunca soube escrever. Digo isso não para me rebaixar, mas para exclarecer. Minhas palavras sempre foram repetição. É que faz um ms que tenho dormido ao inverso, trocando meu sono. No começo causa um tremendo incômodo. Acho que tenho quase certeza que foi a chegada tão esperada do pequeno felino. Ela é um animal de hábitos noturnos, despido de vergonha sobre qualquer ética ou moral quanto encolher-se num canto e dormir durante o dia todo todo. Umas oito, nove horas seguidas. Com breves intervalos apenas para comer e usar a caixa de areia sabe-pra-que. Mas vida de gato não é mole, não. Não é não. Lá pelas duas e dezoito eles acordam e se embrenham na escuridão procurando o que fazer. O meu medo é que depois de meia hora de silêncio, eles sempre encontram. Alguma coisa cria a ilusão de movimento. Ilusão de movimento como eu mesmo existo nesse momento. Um reflexo da sombra da escuridão. Algo ainda se move. Algo silencioso que faz silencioso ruído. Algo que disperso, diluído. Algo que interfere, fere. A medida que se perde. E a medida que se perde é o único sinal de que existiu, simbólicamente. Na minha fé, na vida, daqui pra frente. Tanto quanto como novamente, quanto? Nunca. Volto a viver comum gato no telhado.
Saio no escuro
Sem ser notado
Faço um telecópio improvisado
Miles Davis ao meu lado
L ua cheia passos de felino
c éu estrelado
Nada mais
Nada mais óbvio que o sarcasmo

Emmauel,
seu gato endiabrado

sábado, abril 08, 2017

nas principais




Sabe que eu nem sei se posso mais transformar minha própria vida. Tenho evitado escrever, pois tenho encontrado fraturas e traumas gravados na lembrança de um passado distante. Prefiro evitar lembrá-los. Contudo, em dias como os que passei essa semana, é inevitável não rememorar. Parece que a jornada tem sido um jogo de sorte e azar. O peso da palavra uma noite flutuou pelo céu iluminado. Eu senti, mas apenas. Um ar gelado da madrugada e repente, ficou mais pesado quando esquentou outra vez o dia nasceu. Queria alguém pra conversar, talvez além eu também gostasse de deitar na grama do jardim, olhar pro céu a lua as estrelas. Sem poesia, sentimento nem drama. Sem tantas coisas. Delinear curvas, explicar linhas retas, rivalizar, fugir ou ser ninguém ser. Dormir com sono e sonhos de um futuro qualquer. Triste viver ao lado de quem não sonha. Para quem tudo já foi. O instante presente é imutável. E o futuro, o vir-a-ser, nada será. Sonhar com uma mulher que seja a mulher de um sonho… Há tanto tempo tento ser feliz. Carrego no rosto um sorriso tolo.

segunda-feira, abril 03, 2017

aurora



Acordo pela manhã com essa leve e inabalável  sensação de ternura. De pensar que os sentimentos moram além do contorno das palavras...

sexta-feira, março 31, 2017

Silenciar tudo

Pássaro




Tentar arrancar palavras. Ver a forma onde palavras não há para descrevê-las. Sentir o vento no rosto. A lembrança, A brisa do passado. Meu falo dentro do seu corpo. Como um corvo devorando um corpo morto. Cada dia, em busca do entendimento de enteder a busca da minha loucura - um recorte da pequena história da minha vida - não é a chave de uma questão semântica. Vivo pensando no que não pode ser medido. Tentando imaginar o indizível. A essência da dúvida, duvidoso. Aquilo que não aperece nas imagens. Nas entrelinhas. Atrás delas, dentro delas, nos contornos, nas sombras, nas pausas, nos fundos. Além das palavras, o silêncio. Além do silêncio.

quarta-feira, março 29, 2017

conexão perdida

Perfect Day


Mesmo dia...
Lágrimas escoregam do nariz. Eu... Minha maior indignação é a falta de infomação. Esse desdém por mim, esse desdém desvelado por si mesmos e pela raça humana, esse culto não declarado à pobreza, como se, sob proteção da pobreza estivem imunes... à micro, macro violência social. O erro é pensar que alguém pode se refugiar do mundo, da resignificação iminente dos signos e conceitos. Pensar uma fórmula internalizada de mundo-vida e ser, talvez, apenas pensamento - um corpo sem orgãos. Assimila, interpreta e reproduz, mas neutraliza inconcientemente o mundo-paródia que ajudou a criar. O caso da impossibilidade de qualquer metafísica levou-me a demanchar o mundo, parte a parte, pedaço a pedaço. Começar desde o começo, depois recomeçar a desmanchá-lo. Cheguei às fibras mais profundas dessa trama, que com o tempo foram e mostrando. Meu processo de construção de um sistema de linguaguem é chegar ao modelo mais próximo do sensível, desde o primeiro beijo. Aproximar a palavra do inteligível numa tentativa de escapar ao modelo identitório da imagem não legitimado pela imagem da ideia. Basta dizer que destrincho um frango. Pô  pô pô pô ...

Capim limão

nós


Minha TV também parou. Será que isso é um sinal? (ou falta de)... Digo, um sinal que aponta o caminho pra gente voltar aos seios da terra? Que poético! no sentido spinozian, e não paro de tremer, como se viver fosse uma transgressão constante, ao som frenético de um baião irritante como todo baião anda parecendo. A TV foi a segunda revolução tecnológica, sengundo a estudiosa Lúcia Santaella. Segundo ela, o controle remoto, mais adiante os canais a cabo multiplicaram o número de aparelhos e afastaram membros da família pelo gosto através dessa segmentação. O ato de telever altera antropogeneticamente a natureza humana, segundo o pensador italiano Giovani Sartori. Somos teletubis em transição para a terceira revoluçaõ tecnológica, a dos dispositivos móveis. Eu sou da América do Sul. Sou do mundo, sou Minas Gerais. Mas agora eu sou cowboy...